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O novo consumidor imobiliário: como o comportamento de compra mudou e o que sua equipe precisa adaptar

  • Foto do escritor: Redação Leevo Insights
    Redação Leevo Insights
  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

A jornada ficou mais digital, mais comparativa e menos linear. O problema é que boa parte das equipes ainda atende como se o cliente de 2026 comprasse como o de 2019.


O consumidor imobiliário mudou. Ele continua comprando um bem de alto valor, com forte carga emocional e alto risco percebido, mas passou a decidir de outro jeito: pesquisa mais, compara mais, valida reputação antes de avançar e espera velocidade no atendimento. No início de 2026, 49% das famílias brasileiras declararam intenção de comprar um imóvel, o maior patamar em um ano, e 9% já estavam pesquisando imóveis pela internet, enquanto 5% afirmavam estar visitando unidades. O interesse continua forte, mas a jornada está mais informada e mais exigente.


A primeira mudança relevante é que a busca começa no digital, não no corretor. A Brain aponta que a jornada de compra está “cada vez mais digital”, com a etapa inicial acontecendo majoritariamente online, e que 68% dos consumidores pesquisam avaliações do imóvel ou da construtora antes de avançar. Isso desloca o peso da decisão: a equipe comercial já não recebe um lead “cru”, mas alguém que chegou com repertório, filtros e desconfianças formadas.


A segunda mudança é que o consumidor ficou híbrido, não totalmente digital. O mesmo estudo da Brain mostra que 8 em cada 10 consumidores não comprariam um imóvel de forma 100% online, e apenas 8% se sentem confortáveis com uma jornada integralmente digital. Em outras palavras: o digital ganhou protagonismo, mas a validação presencial continua decisiva. Quem trata a tecnologia como substituição completa do contato humano erra o diagnóstico.


A terceira mudança é a busca por autonomia e resposta imediata. Na Tecnisa, a assistente virtual ISA realizou mais de 19 mil atendimentos em 2025, e 68% dessas interações aconteceram fora do horário comercial. A ferramenta qualificou 35% dos leads online da companhia e participou de fechamentos acima de R$ 1 milhão em prazos bem menores do que os processos digitais tradicionais. O dado não significa que o cliente quer falar só com robô. Significa que ele quer avançar no próprio ritmo, inclusive à noite, no fim de semana e sem depender da disponibilidade do corretor para cada passo inicial.


A quarta mudança é que o comportamento ficou menos linear. O Google Brasil resume essa nova lógica dizendo que as jornadas de consumo já não seguem roteiro fixo e que consumidores interagem com mais de 130 pontos de contato por dia em dispositivos móveis. No imobiliário, isso aparece de forma muito clara: o cliente vê um anúncio, pesquisa bairro, compara preço, procura avaliações, conversa no WhatsApp, salva opções, assiste vídeo, visita presencialmente e só então aceita aprofundar uma negociação. O funil deixou de ser reto.


Também mudou o motivo de compra. Segundo o levantamento divulgado pela Exame com base na Brain, 38% dos compradores ainda são puxados pelo desejo de sair do aluguel, mas 28% das compras já têm objetivo de investimento, como alugar ou revender a unidade. Isso torna o atendimento mais complexo, porque a mesma equipe comercial precisa conversar com perfis diferentes: o comprador emocional da moradia e o comprador racional do retorno. Script genérico não sustenta essa diferença.


Há ainda um recorte geracional que a maioria das imobiliárias ignora. A geração Z, entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra com 59%, e entre consumidores de 21 a 44 anos, 72% buscam ativamente avaliações online. Já entre pessoas acima de 65 anos, a desconfiança em relação às avaliações digitais é bem maior. Isso muda tudo: o que gera confiança para um público mais jovem pode não funcionar para um público mais maduro. Atender todos do mesmo jeito não é padronização; é cegueira comercial.


O que a equipe precisa adaptar começa pelo tempo de resposta. Se o consumidor pesquisa no digital, compara rápido e quer autonomia, demora no primeiro atendimento virou perda direta de oportunidade. O segundo ajuste é a condução: o corretor precisa parar de despejar opções e começar a interpretar contexto, intenção e estágio de decisão.


O terceiro é reputação: se avaliações e prova social entraram no centro da jornada, atendimento ruim, perfil vazio e ausência de credibilidade digital passaram a matar venda antes mesmo da conversa começar. Essa conclusão decorre diretamente da combinação entre a importância das avaliações online apontada pela Brain e a migração da etapa inicial da jornada para o ambiente digital.


Outro ponto é a necessidade de operação híbrida. A equipe precisa dominar bem o digital sem abandonar o presencial. Isso significa saber usar WhatsApp com continuidade, enviar material certo, registrar histórico, conduzir visita com contexto e fazer follow-up que pareça relacionamento, não perseguição. O erro comum é tratar o online como triagem rasa e o presencial como improviso. O novo consumidor não separa essas etapas com tanta rigidez; ele percebe uma única experiência. Essa é uma inferência consistente a partir do diagnóstico da Brain sobre pesquisa digital intensa e validação física decisiva.


Por fim, sua equipe precisa adaptar a linguagem. O consumidor imobiliário de 2026 não quer só simpatia; quer clareza. Quer entender faixa de preço, viabilidade, localização, riscos, documentação, potencial de valorização e adequação ao momento de vida dele.


Isso vale ainda mais quando parte relevante das compras já tem motivação patrimonial e quando a intenção de compra segue elevada mesmo em um ambiente mais exigente.


Atendimento bonito, mas vago, não acompanha esse novo padrão de decisão.


O novo consumidor imobiliário não é apenas mais digital. Ele é mais informado, mais fragmentado, mais impaciente e mais seletivo. A imobiliária que entender isso vai vender melhor. A que continuar operando com resposta lenta, discurso genérico e condução fraca vai culpar o mercado por uma perda que, na prática, nasceu dentro da própria operação.

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